E se a vida nos obriga a abrandar…abrandemos

Hoje em dia quase tudo à nossa volta é virado para fazer coisas, atingir metas, conquistar desejos. Não tenho nada contra mas confesso que em geral sinto-me um pouco dessincronizada com esta intensidade de conquistas. Não me identifico muito com a ideia de que se não atingir metas e superar obstáculos não sou ninguém de valor. Também não me diz muito viver com uma aceleração tal como se um urso estivesse a tentar comer os meus calcanhares. Gosto de aproveitar cada dia ao máximo mas isso para mim também inclui vivê-lo com tranquilidade e calma, com momentos de prazer só porque sim e momentos de olhar o horizonte e não fazer nada. Isso para mim também significa viver em pleno, atingir as minhas metas e ser uma superadora.

Atualmente com o isolamento isto ganhou todo um outro significado, pois de repente temos tempo para fazer uma série de coisas, temos o silêncio e calma que muitas vezes ansiámos e a oportunidade de partilhar com os nossos filhos toda uma série de brincadeiras e atividades que se faziam e que podem valer maravilhosos momentos em família.

Em vez de entrar em parafuso e pensar no que não pode fazer, onde não pode estar e com quem não pode confraternizar, concentre a sua atenção no local onde está -dê atenção a esse local como nunca antes-, escute e ame as pessoas com quem está e dedique-se ao muito que pode fazer com o que tem à sua volta. Se os seus filhos não param, reclamam ou fazem birras, será uma ótima oportunidade para conversar com eles, ensiná-los a relaxar, a fazerem coisas criativas e partilharem histórias (e estórias), brincarem, prepararem uma prenda feita por eles para o dia do pai que está mesmo aí à porta.

Usufruam ou aprendam a usufruir pois finalmente têm tempo para isso. Aproveitem este abrandamento obrigatório e deixem o vosso organismo abrandar também pois isso melhora o sistema imunitário e o equilíbrio do organismo de uma forma geral.

Fiquem bem, cuidem-se e sejam felizes

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